quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

ensaio de F. Aldrin n°1 (em D menor)

   É um erro comum pensar que pessoas ansiosas gostam de velocidade. Na realidade, muitas vezes elas preferem pegar o caminho mais lento, deixando qualquer tipo de atalho para outra ocasião. Assim, o destino é adiado e qualquer problema que esteja na espreita vai ser prorrogado e colocado em Alguma Hora Depois Do Futuro. É uma falsa ilusão de conseguir barganhar mais tempo com o universo, como se ele fosse um comércio informal que permitisse negociações. Esse é um dos motivos que nos levam a colocar um nome e um rosto na simples e fria magia da existência. Por mais contraditório que pareça, trata-la como um deus é só mais um jeito de humanizar um conceito inanimado, simplesmente porque ficamos intimidados diante de algo que não permite diálogo.
   Porém eu sou ansioso, e gosto de velocidade. Sou a exceção. Não gosto exatamente de chegar rápido onde quer que eu esteja indo, mas sim do sentimento de velocidade em si. De todas as outras palavras que carrego junto de "velocidade", como "liberdade", "controle", e talvez até mesmo "calma". Gosto de pensar na velocidade como algo que eu só me permitiria obter quando não tivesse nenhum destino ou compromisso marcado, em um estado de total ausência de pressa. Só assim a velocidade passa a ser prazerosa. Só aquele que não tem mais nenhum lugar para ir que gosta de correr, e pode colocar todo o peso do corpo em cima do acelerador, tendo 100% de aproveitamento da emoção de estar se locomovendo na velocidade do som. E enfim conseguir voar.
   Eu tenho pensado... O que eles querem dizer com "viver tendo o mar como referência"? Se a vida e como caminhar em direção ao litoral, essa expedição exotérica em direção à uma experiência completa de vida, percorrendo praias, grandes porções desérticas que deságuam no oceano, seria correto viver tendo a morte como referência? Localizar-se meramente usando o destino da viagem como norte? Quem foi que disse que é uma boa ideia viajar sem rumo, viver para sempre? E por que nossas mentes não conseguem se livrar da maior mentira da experiência humana, que estar perdido esta diretamente relacionado à liberdade, e assim à velocidade?
   Encarar a morte é o verdadeiro jeito de se libertar. Libertar-se da terra, da cidade, da vida, das estradas. Foda-se a terra firme, a verdade está na água salgada. Na água gelada. No afogamento. Enfim deitar-se por cima das ondas, correr livre no oceano pacifico. Levantar vôo, jogar fora seus remos. Abraçar o vento, sonhar com conchas e beijar sereias. Navegar. Talvez morder alguns tubarões.

                                    T.V [aka Fuss Aldrin]

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