O universo observável troca de pele e vira ao avesso. Tudo o que me resta nesse circo de horrores é vomitar meu coração em minhas mãos, envolto em um papel de presente colorido e amarrado com um nó de marinheiro, dentro de um cofre de banco que só você sabe a senha. Me encontro totalmente rendido ao frio mágico de sua língua, capaz de congelar minhas lágrimas antes mesmo que içem as velas no canal lacrimal. Assim, soltam-se dos meus globos oculares como bolhas de sabão, flutuando até o quarto mais escuro da sua alma. Mas, ah, é um lugar tão frio! Suas palavras montam guilhotinas (sem precisar de nenhum tipo de manual de instrução) e, entediada, você chupa o sangue da minha artéria Aorta mordiscando a ponta como um canudo dobrável de milkshake. As ondas nos seus olhos quebram minha concentração o tempo inteiro como trovões de ferro, nunca me permitindo terminar essa equação. Seu simples olhar conjura formigas vermelhas no meu estômago. E quando estou desperto, por volta da mesma hora, em uma segunda-feira qualquer, encruzilhado entre rifles que atiram realidade, penso na saudade que sinto do sono, e as armas se tornam flores ferozes. O mundo lúcido se metamorfoseia em pesadelo, e o mínimo que posso lhe dizer é que essa é a melhor montanha-russa na qual eu já estive amarrado nos trilhos.
T.V [aka Fuss Aldrin]
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