terça-feira, 24 de outubro de 2017

Elegia em preto e branco

Além da flâmula vibrante
Que me revela, exuberante,
O pandêmico devaneio
Fruto do mais louco desejo
Jaz a imensa insensatez
E sua gêmea, estupidez

Por entre tiros e derrotas
Por entre quedas e vitórias
Sob o mais valioso mármore
No mais extravagante cálice
Jaz a imensa insensatez
E sua gêmea, estupidez

E os emissores dessa dor,
Um veneno a qualquer amor,
Qualquer amor são que se veja,
Em mansões ou mesmo em igrejas,
Corrompem tudo em que tocam
Com vidas, pouco se importam

Pois muito se ocupam e se consomem
Com a fraqueza do que fizeram ontem
E não veem, cegados por um falso brilho,
A aquarela escarlate ao tique do gatilho.

                   Felipe Valverde

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